quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump é uma tragédia.

Donald Trump é uma tragédia.

Sim, isso é o irreal acontecendo.

É o 7 x 1 americano.

Acho que agora os gringos agora entendem porque o futebol é tão importante para nós.

E isso vai além de José Serra apelar para Didi (o jogador, não o Renato Aragão)  para explicar que "jogo é jogo e treino é treino".

A chegada de Donald Trump à Casa Branca... Santo Deus, parece um episódio de South Park. É difícil de acreditar.

E eu acredito que ele não vai completar o mandato. Algo vai acontecer. Ele vai se enforcar com a própria corda. Seja um impeachment, uma renúncia ou algo mais... É como Adriano, o Imperador (outra comparação com o futebol) de velhice não vai morrer.


domingo, 6 de março de 2016

Negócio da China que nada


Meu Coringão levou ferro hoje. Tudo bem que era o time reserva de uma equipe que está tentando encontrar sua cara pra 2016. Sem maior prejuízo. O que queria falar era sobre Ricardo Oliveira, 35 anos, 2 gols na partida. Durante a semana, esteve com um pé e meio fora do Santos, seduzido pela proposta de ganhar 1 milhão de reais por mês de um timeco da China. Eu disse PARA GANHAR 1 MILHÃO DE REAIS POR MÊS. O velhinho estava doido para ir. Como sabemos, o presidente do Santos não deixo pq queria que o clube recebesse uma proposta melhor. Fico pensando como seria o fim de semana chinês de Ricardo Oliveira. Hoje, num domingão de sol, venceu de lavada um clássico no estádio lotado. Aquele segundo gol foi coisa de Messi. Com um toque deixou o zagueiro beijando o chão. Com dois toques deu uma cavadinha. Lindo demais. Na China, o velho Oliveira ia ganhar um milhão pra jogar pra ninguém. Jogando no Brasil, é o 9 da Seleção e manchete em todos os lugares. É ídolo da molecada. O que vale mais?

terça-feira, 1 de março de 2016

Virou meme? Ria junto e fature!


Estou sacudindo a poeira desse espaço para falar de limonada. Ou melhor, em como Glória Pires conseguiu transformar limões cinematográficos em uma caipirinha.

Resumindo o que todo mundo já deve pelo menos ter ouvido falar: Glorinha foi convidada pela Globo para ser comentarista da entrega do Oscar. Nos brindou com um festival de monossílabos. Tudo era "bacana", "adorei" ou "curti". Os pontos altos da noite: "não assisti" e "não sou capaz de opinar sobre isso" - que já entrou para o hall da fama das grandes frases da década ao lado de "hoje é dia de rock, bebê".

Certamente, Glória Pires foi dormir perto do raiar do sol de segunda-feira. Acordou em uma terra estranha, afundada até o pescoço na lama deste pântano povoado por criaturas cruéis que chamamos de internet.

Mas o que fez Glorinha? Gravou um vídeo, logo depois do banho, cabelo ainda molhado, para falar que tudo bem, tinha adorado os memes, tinha assistido os filmes do Oscar sim, mas estava surpresa com a repercussão que o negócio ganhou. Que não se preocupassem, pois estava bem. Aliás, ela adora essa ferramenta que permite que as pessoas comentem e compartilhem sua desgraça. Puta da vida? Tô nada! Olha a minha cara de feliz! Beijos!

Haha. Só que o negócio não parou. Glória Pires e seu show de enrolação no Oscar ainda é o assunto mais comentado das redes sociais. O que fazer? Capitalizar a situação.

Zás!

Nas redes sociais, quando a crise estoura e você vira meme, a melhor saída é: se não pode vencê-lo, junte-se a ele. É o jeito para cicatrizar uma imagem e ainda faturar uma grana.

Foi o que Glorinha fez, lançando uma linha de camisetas com as frases que a consagraram no mundo dos memes. Bacana.

Outros exemplos não faltam. Ed Motta polemizou um tempo atrás reclamando que público brasileiro era muito ralé em shows no exterior. Apareceu logo depois cantando em dinamarquês numa propaganda. Rubens Barrichello assumiu o folclore de sempre atrasado e ser devagar para estrelar uma campanha da Vivo.

Vamos nos lembrar da gafe Glória Pires daqui duas semanas? Já esquecemos até da Fabíola. Fica sussa, Glorinha.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Tira o Tiradentes daí!



Hoje é 21 de abril. Em uma terça-feira, a maioria de nós rumina em casa o sabor de um domingo extra no meio da semana.

Feriados são homenagens, brechas no nosso calendário para celebrar algum fato marcante na história do país. Teoricamente, não trabalhamos porque iríamos festejar a glória da Inconfidência Mineira, capitaneada pela figura heroica de Tiradentes. Na prática, estamos colocando o sono em dia.

Algo me intriga na extensa programação brasileira de feriados nacionais. Todos são referentes a acontecimentos mais que centenários em nossa história. À parte os religiosos - Corpus Christi, Sexta-Feira Santa, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Natal - e os culturais - Carnaval, Dia do Trabalho -   temos os feriados históricos, reservados para a Independência, Proclamação da República e Tiradentes.

Eu trocaria o feriado de Tiradentes por algum que lembrasse a redemocratização do Brasil. A sociedade que somos hoje começou com a queda do regime militar no meio dos anos 80 e a fundação da Nova República. É estranhíssimo que não tenhamos um feriado para dar a essa fase de nossa história sua devida importância. Poderia ser o 25  de janeiro para marcar a maior manifestação das Diretas Já ou manter o 21 de abril, mas em memória à morte de Tancredo Neves - para os mineiros não ficarem bravos.

Vou deixar essas especulações para amanhã, essa quarta-feira disfarçada de 2ª segunda-feira dessa semana.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Surpresas no meu bolso


Estou no trabalho. Estou na rua. Estou almoçando. Estou vendo televisão. Coloco ao mão no bolso. Tem algo ali, é um lacinho de cabelo. De menina.

Isso aconteceu com muita frequência em 2014. Os lacinhos são de muitas cores: tem rosa, laranja, azul, branco. De borboleta, da Minnie, de coelhinho. São todos da Sofia e foram parar no meu bolso depois de cair do cabelo. Quantos não tirei da boca dela? Meio desesperado, com medo da menina engolir?

Na verdade o nome desses negocinhos não é lacinho. Em casa a gente chama de baratinha. Mas parece que o nome certo é tic-tac.

Não era acostumado com essas presilhinhas até 2014 chegar, assim como não sabia preparar uma mamadeira, trocar fralda e dar banho em bebê. Também não sabia que dar mamadeira e emendar com uma chupeta é tiro e queda para fazer a criança dormir.

Foi a chegada da Sofia que me fez aprender tudo isso,

O ano começou com berço encaixotado e roupinhas esperando um bebê e terminou com uma criança enlouquecida, subindo nos sofás da sala e quebrando os enfeites de Natal.

Uma criança que não para um minuto sequer. Brinca com tudo, coloca as coisas na cabeça. Corre, cai, levanta. Pega as coisas do chão e traz para mim.

Sofia não quer comer e tenho que sair andando atrás dela com a colher na mão. Depois de jogar um controle remoto e meu celular no chão e tentar enfiar um tubo de pomada na boca, ela tira a baratinha do cabelo. A menina precisa comer. Continuo tentando.

Quatro dias depois, encontro a baratinha no meu bolso. Sinto saudade. Te amo, Sofia.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Chaves é um mistério


Chaves é um mistério.
É um negócio dos anos 70, a imagem é escura, os efeitos sonoros são estranhos, é mexicano, subdesenvolvido. Os atores são velhos, feios. Tem homem de meia idade já barrigudo e velho vestido de criança. Se você olha bem de perto, parece quase um freak show.

Chaves é um mistério ainda mais perturbador porque está no ar há uns 30 anos e é até hoje uma das maiores audiências do SBT.

Mais estranho e doido é encontrar na rua a molecada com suas camisetas do seu Madruga e do Chapolin.

Chaves venceu. Atravessou o tempo e com piadas sobre sanduíches de presunto, churros e suco de tamarindo (que parece de limão) conquistou o coração da criançada.

A indústria do entretenimento infantil se desenvolveu, tendências de desenho animado surgiram e desapareceram. A internet chegou. Efeitos especiais com explosões pipocam em todos os canais, mas nenhum mostra como é a bola quadrada do Quico, que só existe na imaginação das crianças.

Quando eu era uma delas, foi em Chaves que vi algo mais próximo do Brasil entre as atrações para a minha idade. Era ali que via crianças brincando como brasileiras, por mais que fossem atores mexicanos batendo quase 40 anos em cena, num troço que foi gravado uns 20 anos antes. Me tocava com mais apelo do que muitas produções nacionais.

Quem assiste Chaves com o olhar adulto pode perceber a carga de melancolia, de um sentimento frio que é transformado em ternura. É a vida do menino pobre que não tem o que comer, nem quem olhe por ele. A tristeza estava embutida no olhar de Roberto Bolaños.

Ele foi embora como um dos muito poucos que conseguiram construir um sólido elo cultural por toda a América Latina. Conseguiu até pular o muro que nos separa dos hermanos e ganhou o coração do Brasil.

O segredo do sucesso? A chave do mistério? Estava no fundo daquele barril.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Sarney, o pior cabo eleitoral

A cena tem um peso simbólico tão amplo que é difícil dar a dimensão.

José Sarney, 80 e tantos anos, terno claro, peito coberto por adesivos de Dilma Rousseff, se aproxima da urna eletrônica para o sagrado momento do voto.

Estica o indicador, sobrevoa a tecla 1, ameaça digitar um 13. Hesita. Desce um pouco e não tem dúvida: 45 e confirma. Deixa a cabine de votação com aquele ar de velhinho de asilo, que não percebeu que guardou o controle remoto na geladeira.

A cena foi captada pela câmera de TV. Assim, meio de lado, como quem não quer nada, a lente pegou o ex-presidente no pulo.

O que dizer um cacique do tamanho de Sarney? Apoia fulano, mas vota em beltrano? Não dá para dizer nada, estava com a cueca na mão. Vem a confirmar sua carreira de falcatruas e desmandos.

E a câmera que gravou a cena? O voto não é secreto e inviolável, mesmo o de um canalha como José Sarney?.

Em seu último ano de vída pública, fica sendo essa a despedida de uma criatura política que como um corvo, uma lagartixa, uma ratazana, se alimentou nas sombras da história brasileira.